Carrossel não é design, é processo: como eu publico 2 a 3 por dia com IA e transformo isso em lead

Passei dos 60 mil seguidores no Instagram. Faz pouco mais de um ano que eu comecei a publicar por lá com frequência de verdade.

Para muita gente esse número é pequeno. Para outra, é grande. Para mim ele importa por um motivo bem específico: aquele perfil não é vitrine de vaidade. Eu tenho mais de uma empresa (uma que trabalha com atletas, uma de inteligência artificial e a consultoria de e-commerce) e o perfil existe para alimentar todas elas com gente interessada. Crescer base, gerar lead qualificado, rodar campanha, vender produto, atrair convidado para o podcast. É canal de aquisição, não álbum de fotos.

E o que sustenta isso não é talento de design nem sorte de algoritmo. É um processo escrito, que roda todo dia, e que hoje é executado quase inteiro por IA. Vou abrir ele aqui.

O melhor formato não é o mais bonito. É o que você consegue repetir.

Eu testei reels. Fiz cortes, testei variações. Funciona? Funciona. Só que eu não me sinto à vontade criando reels, e conteúdo que depende de eu estar com vontade não vira sistema, vira surto. Some por três semanas, volta com quatro de uma vez, some de novo.

Carrossel é diferente para mim. É o formato que eu consigo produzir todo dia, no mesmo padrão, sem depender do meu humor. Hoje eu publico dois ou três carrosséis por dia. Uma vez por semana sai um reels, que é o trailer do episódio do No Topo, o podcast que eu faço com o Nicholas Pasqualetto.

Essa é a primeira decisão do processo, e quase ninguém trata ela como decisão. A pergunta certa não é “qual formato performa mais?”. É “qual formato eu consigo repetir 300 vezes por ano sem odiar o processo?”. Alcance alto num formato que você abandona em um mês vale menos que alcance médio num formato que você mantém.

Mosaico de capas de carrosséis do Instagram publicados diariamente, alternando o formato de história e o formato de card de rede social
Dois ou três carrosséis por dia, no mesmo padrão. O que sustenta esse ritmo não é inspiração, é processo escrito.

Dois formatos, não vinte

Dentro de carrossel eu trabalho com dois moldes. Só dois.

O primeiro conta história: de uma pessoa, de uma empresa, de um acontecimento. Os números variam bastante. Tem carrossel com 400 curtidas, tem com 900, e tem um ou outro que estoura e passa de 4 mil. A maioria vai bem. Um ou outro vai mal, e nesses eu normalmente sei exatamente o motivo. O CTA no final é simples: seguir. A pessoa terminou de ler uma boa história, o pedido natural é “quer mais disso, então me segue”.

O segundo é o estilo card de rede social. Esse tem alcance médio menor. Em compensação, quando um deles viraliza, traz muito seguidor de uma vez, e seguidor interessado no assunto certo. É nesse molde que eu entrego prompt pronto, e conteúdo com prompt gera salvamento, que é um dos sinais mais fortes que existem. O CTA aqui é outro: comentar uma palavra-chave para receber algo de graça no direct.

Os dois formatos de carrossel lado a lado: à esquerda o formato de história com foto e manchete, à direita o formato de card de rede social com texto e imagem de apoio
Dois moldes, dois objetivos. O da esquerda otimiza para seguidor, o da direita para salvamento e lead.

Repare na lógica: não são dois estilos por capricho estético. São dois moldes com objetivos diferentes, um otimizando para seguidor e o outro para salvamento e lead. E eu resisto à tentação de inventar um terceiro toda semana. Variedade é inimiga da consistência. Dois moldes validados que eu melhoro sem parar rendem mais do que vinte experimentos que nunca amadurecem.

A IA não criou o processo. Ela passou a executar o que eu já fazia na mão.

Eu criava carrossel muito antes de existir IA generativa. Quem me acompanha há mais tempo sabe disso: eu montava tudo no Canva, slide por slide. O ChatGPT chegou em novembro de 2022 e mudou a velocidade do trabalho, não a natureza dele.

Faço questão de dizer isso porque tem uma promessa circulando que é falsa: a de que agora ficou fácil. Não ficou. E eu aprendi a desconfiar justamente quando fica fácil demais. Se saiu rápido e sem nenhum esforço, provavelmente saiu genérico, e conteúdo genérico não dá resultado. O que a IA tirou de mim foi o trabalho manual repetitivo. O que ela não tirou, e não vai tirar, é a estratégia, a linha editorial e o critério.

A virada de verdade aconteceu quando eu saí do chat e fui para o Claude Code. No chat, você pede uma coisa de cada vez, toda vez. No Claude Code, você escreve o processo uma vez e ele executa.

Na prática funciona assim: eu uso o VS Code no computador, que é onde ficam organizadas as pastas, com o Claude Code rodando junto. Cada formato de carrossel é um projeto, e cada projeto carrega por escrito todas as instruções de como aquele carrossel se monta, incluindo estrutura de slides, tom, regra de capa, o que nunca fazer e onde entra o CTA. Eu escrevo o roteiro, ele adapta e melhora. Ele busca as imagens. Ele monta o material.

Mesa de trabalho à noite com notebook aberto em um editor de código e celular ao lado exibindo um post vertical de rede social
O carrossel nasce no editor de código e termina no celular. O trabalho manual saiu do caminho, o critério continua comigo.

Tenho vários MCPs conectados, que são as conexões que dão ferramentas de verdade para a IA, entre elas busca na internet e o Perplexity, que eu uso bastante. Meu conteúdo vive de história, de gente e de número, e número errado em carrossel viralizado é um problema que você não quer ter.

O detalhe técnico que ninguém conta: o slide é código, não imagem gerada por IA

Esse é o ponto que mais gera pergunta quando eu mostro o processo.

Eu não peço para a IA “gerar o carrossel” como imagem. O Claude Code escreve o slide em HTML e depois salva aquilo em PNG. Quando entra imagem gerada por IA, ela entra como um elemento dentro do layout, e isso ainda é um teste que eu estou tocando, chamando o Gemini de dentro do próprio projeto.

Parece detalhe técnico, mas é decisão de negócio. Layout em código é previsível: a tipografia é a mesma em todos os slides, o alinhamento não escorrega, o texto não sai deformado. E quando eu quero mudar o padrão, eu mudo em um lugar só e vale para a série inteira daqui para frente. Imagem gerada inteira por IA é bonita e instável. Para conteúdo diário, previsibilidade vale mais que surpresa.

Por que eu não publico automático (o passo manual que eu mantenho de propósito)

Eu poderia fechar o ciclo e publicar direto, sem tocar em nada. A integração existe e não é difícil. Eu escolho não usar.

O motivo é simples: a única forma de colocar música em um carrossel é publicando pelo aplicativo, no celular. E carrossel com música alcança bem mais do que carrossel sem música, porque passa a circular em outro tipo de distribuição dentro da plataforma. Nos carrosséis de história eu uso sempre a mesma música, uma trilha de fundo que combina com leitura. Nos de estilo card eu ainda estou testando.

Então o processo termina assim: o projeto finaliza o carrossel e me manda no Telegram o álbum de fotos com a legenda já escrita. Eu salvo e publico com música.

Aqui mora um princípio que eu repito bastante: automação boa não é a que tira o humano de todas as etapas. É a que tira o humano das etapas que não pagam. Montar slide não paga. Escolher a música que dobra o alcance paga.

Uma vez por mês, o dado volta para dentro do processo

Mais ou menos uma vez por mês eu paro e faço a análise. Uso o próprio Claude Code para olhar o que foi bem, o que foi mal e o que se repete nos dois casos. Ele sugere melhorias, eu avalio e ajusto as instruções do projeto.

São mudanças pequenas. Quase nunca é uma reformulação. É um ajuste de capa aqui, uma troca de estrutura ali, uma regra nova que passa a valer para todos os próximos.

Sistema sem esse retorno não é sistema, é linha de produção rodando no escuro. O que faz o meu carrossel de hoje ser melhor que o de um ano atrás não é nenhum insight genial. São dezenas de ajustes pequenos que ficaram gravados por escrito e passaram a valer sozinhos.

Dois minutos ou meia hora: o que define é a pesquisa, não o design

Quanto tempo leva? Depende, e a variação é grande.

Tem carrossel que fica pronto em dois minutos, com todas as imagens, tudo montado. E tem carrossel que leva mais porque eu preciso revisar, refazer uma busca, conferir um dado que não fechou. Mesmo assim, eu não passo de meia hora em um carrossel bem detalhado, com pesquisa bem feita.

Repare onde o tempo está. Não está no design, que virou custo quase zero. Está na apuração e no critério editorial. O tempo foi transferido de uma coisa para a outra, e é exatamente isso que separa conteúdo que traz cliente de conteúdo que só ocupa espaço no feed.

O que isso tem a ver com o seu negócio

Se você não tem Instagram e não pretende ter, o carrossel aqui é só a parte visível. O que importa é a estrutura por trás dele.

Eu peguei uma tarefa que eu já sabia fazer na mão, escrevi o processo dela em detalhe e coloquei uma máquina para executar. É isso. A mesma lógica vale para proposta comercial, atendimento, rotina financeira, prospecção, relatório que alguém monta toda segunda-feira há três anos.

E tem uma consequência incômoda aí: se o seu processo só existe na cabeça de alguém, a IA não tem o que executar. Antes de “usar IA” existe uma etapa que quase todo mundo pula, que é escrever como a coisa é feita. A tecnologia está barata e acessível. O gargalo é organizacional, e eu vejo isso em praticamente toda empresa em que eu sento junto.

O ativo não é o carrossel. Não é o app, nem o prompt. O ativo é a capacidade de transformar processo em sistema. O carrossel é só a prova de que funciona, publicada duas ou três vezes por dia.

Veja o processo por dentro

No vídeo abaixo eu abro o perfil e o processo inteiro: os dois formatos que eu uso, como cada projeto fica montado, o slide virando PNG, os MCPs de pesquisa e o carrossel chegando pronto no Telegram para eu publicar com música. Vale assistir com a sua própria operação em mente, trocando “carrossel” pela tarefa que hoje come o tempo do seu time.

https://www.youtube.com/watch?v=5Ld6oFyFl08

É exatamente esse tipo de construção que a gente ensina dentro da AplicaAI: treinamento, comunidade, ferramentas exclusivas e mentoria para você parar de “entender que dá” e passar a ter sistemas rodando com IA dentro do seu negócio, reduzindo custo e aumentando receita, e não produzindo mais do mesmo.

Para fechar, a pergunta que interessa: qual tarefa da sua empresa é feita toda semana, há anos, por alguém que nunca escreveu como ela é feita? Porque essa é, quase sempre, a primeira que deveria virar sistema.

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